O que eu vi da COPA!

bola na rede

Em 1990, eu não vi a Copa;

Em 1994, aos 6 anos de idade, até guardo recordações do Tetra, porém não fazia ideia da representatividade de um Mundial para o País;

Em 1998, estava mais contente com o fato de não ter aula nos horários dos jogos do Brasil;

Em 2002, acompanhei toda a Copa em casa, com a família, e lembro-me de ter comemorado o Penta enrolada em um cobertor no sofá. Foi bacana, mas não cheguei perto de chorar com o hino ou com a taça erguida;

Em 2006, foi muito legal já ter 18 anos e poder curtir os jogos bebendo cerveja em bares com os amigos (rsrs), apesar da frustração da eliminação;

Em 2010, morava em uma cidade, meus pais em outra, e meu atual marido….em outra! Assisti a maioria dos jogos sozinha e até tirei um cochilo durante o jogo da eliminação;

Até 2014, não havia sentido na veia o sangue quente de torcedor e anfitrião de uma Copa.
Não até o dia 12 de Junho.

Para mim, a Copa 2014, está sendo sim a Copa das Copas (Não, nenhuma simpatia com PT). E mais, tive a oportunidade única de ter sido presenteada com um ingresso para as Quartas de Final e sorte por ter visto justamente o meu país em campo (Emoção imensa!). Ouso dizer que me emocionou mais do que o show do Paul McCartney (hahaha). E olha, do que eu presenciei, Brasil estava de parabéns pela organização! Não há o que criticar. (Tá bom vai, a não ser pela torcida “coxinha” que não vibra como a Torcida da Fiel ; ) rsrsrsrs

Apesar dos pesares de 7 anos de uma (des)organização, o maior evento esportivo mundial trouxe mudanças significativas para o país, seja para a economia, política e para o próprio futebol. Isso é muito bom! Saímos da inércia!

Assim como nas festas de aniversário, em que o aniversariante, como anfitrião, prepara todo o terreno da festa e (quase) nunca é o que mais se diverte ou sai satisfeito, não vejo problemas de não ter sido diferente na Copa do Mundo.

Claro que torci para o Brasil até a última lágrima de esperança (ok, a partir do quarto gol já havia desistido de acompanhar a TV), mas fico com a celebração de um bom futebol! E que orgulho que muitos times brilharam em nossos campos, com a nossa torcida!!

E agora, José? A festa acabou? NÃO! Ainda temos três jogos! E cabeça dura que sou, não conseguindo desvencilhar o processo histórico que os países representam, entre uma Holanda que explorou o açúcar nordestino brasileiro ou uma Alemanha que foi o berço do Nazismo, fico com a Argentina, que, apesar dos conflitos históricos com o Brasil, também compartilha conosco uma familiar aproximação, a de também ter resistido a uma Ditadura Militar.

Ah, mas que fique registrado: se perder da Holanda, hermanos, o Brasil fica com o terceiro lugar, ok?

Até a próxima! : )

Posted by Andressa Luz

Nada é tão ruim (que já não tenha sido pior).

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Eu me recuso ser saudosista e fantasiar que algum dia o mundo foi melhor do que está. Veja bem, sua infância não foi mais feliz, a família não era mais exemplar, as pessoas não estabeleciam vínculos mais verdadeiros, a comida não era melhor, a saúde não era melhor, a educação (por incrível que pareça) também não era melhor, e sempre existiram abusadores, estupradores, torturadores, e por aí vai.

Talvez hoje, pela ampla possibilidade da construção de um senso crítico, conseguimos colocar tudo em cheque e, conseqüentemente, desacreditamos do nosso próprio potencial de fazer o bem. A crítica é fundamental, mas devemos cuidar disso, pois crítica pela crítica não nos leva a lugar nenhum, a não ser à desesperança.

Particularmente, fico extremamente incomodada quando leio ou ouço opiniões que colocam gerações contemporâneas como “ameaçadoras”: “- O mundo de hoje está perdido”; “- Perderam-se os verdadeiros valores familiares”; “- Os relacionamentos estão instáveis, não duram, as pessoas perderam os vínculos, trocam de companheiro como trocam de roupa!”.

Ah Vá! Jura que você acredita que uma sociedade sem garantias de direitos constitucionais, mulher submissa, casamentos como “negócios” familiares, e “procriação” de filhos com a finalidade de maior produtividade agrícola (quanto mais gente pra carpir, melhor!), realmente era bacana? Pohan, tá de brincation with me?

E não vou nem citar aqui os tempos em que as pessoas eram enforcadas ou queimadas em praça pública, sob aplausos fervorosos.

Tá, ninguém aqui tá dizendo que o mundo está mais bonito, mas a questão é reforçar que ele SEMPRE teve seu lado feio. A diferença é que hoje não conseguimos ignorar isso. Está nos jornais, na televisão, nas ruas, no trabalho, no vizinho, na sua família!

Trouxe isto para o blog, justamente porque nós (eu e Fernanda) estávamos refletindo sobre o que causa esta angústia toda de “mundo ameaçador e cruel demais”.

Talvez, o que mais amedronte nos dias atuais,seja,justamente, algo precioso que temos em mãos, mas não sabemos o que fazer com ela: a tal da liberdade (juro que não é alusão à música de pagode!). Em comparação ao passado, hoje, somos sim, mais livres em nossas escolhas, pensamentos, discursos, atitudes…enfim. Mas esta liberdade exige limite, cuidado, consciência.

Não estaria a nossa angústia relacionada à dificuldade em lidarmos com as responsabilidades dessas livres escolhas e suas devidas conseqüências? Seria mais “aceitável” o tempo em que não havia a possibilidade de escolha nenhuma, ou seja, a submissão a qualquer custo?

Para tanto, o excesso de liberdade, ou o mau uso dela, pode aprisionar. Não à toa, hoje também vivemos a era do “nada pode”, como uma tentativa desesperada de controlar tudo o que estava “liberal demais”. Puxaram o freio de mão! E corremos o risco de perder o que conquistamos, de retroceder.

É tudo ciclo, é tudo repetição. É muito empenho na busca do novo, mas, no fim, o que temos, é sempre o “retorno do mesmo”.

Meu medo hoje é, daqui a 25 anos, estar acomodada em uma vida pacata e pensar: “ah, como a vida era boa e simples, quanta petulância minha, quanta ingenuidade. Bons tempos que não voltam mais, parece que, hoje, tudo está perdido!”

Antes de partir, acho bom rememorar Belchior (Música: Como Nossos Pais):

“…Hoje eu sei que quem me deu a idéia / De uma nova consciência / E juventude / Tá em casa / Guardado por Deus / Contando vil metal…Minha dor é perceber / Que apesar de termos feito tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos / E vivemos /Ainda somos os mesmos /E vivemos / Como Os Nossos Pais…”

Posted by Andressa Luz

(Sobre) viver em São Paulo

PonteEstaiada

Sou do interior. Não sei se é algo típico de interiorano ou se é meu, mas antes de morar em São Paulo eu projetava que “a grande capital” não era para qualquer um, era coisa só pra “gente grande”.  E hoje, morando aqui, continuo distante de me sentir como tal.

Gostaria de compartilhar algumas constatações que, até então, aprendi sobre viver em “Sampa”:

– Morar em São Paulo é acordar cinco minutos atrasada em relação ao horário habitual, planejado, e já projetar que o seu dia está ferrado porque, nestes cinco minutos, mais cinco milhões de pessoas também atrasaram cinco minutos e saíram de suas garagens com seus milhões de carros e empacaram o seu trajeto. E isto, invariavelmente, vai se tornar uma bola de neve de atrasos até o retorno pra sua casa. Não tem como receber “bom dia” com bom humor;

– é ouvir, angustiadamente, a mesma música 4 vezes, em cinco estações de rádio diferentes, enquanto procura se distrair no trânsito;

– é ainda levar buzinada no semáforo porque deixou de percorrer 3 metros com o carro enquanto acompanhava as últimas atualizações muito significativas do facebook;

– é sair de roupa preta, jaqueta de couro, cachecol e bota às sete da manhã, se arrepender da bota e da roupa preta na hora do almoço, e ficar puta por ter esquecido o guarda-chuva no final do dia. Ah, mas aí tudo bem, com a chuva não vai mais ter se arrependido da bota. Neste caso, uma escolha do seu dia valeu a pena!;

– é pegar a Linha Amarela às cinco e meia da tarde, e ter vontade de chorar.  Ou ainda é pegar o trem da Esmeralda sentido zona sul, na mesma faixa de horário, e ter que dar pequenas cotoveladas, pontapés e “bolsadas” sincronizados com o apelo: “eu preciso descer aqui, peloamordedeus!”. E depois carregar a culpa por ter xingado mentalmente algum velhinho com os movimentos BASTANTE limitados e ter desejado que ele tivesse permanecido em casa;

– é descer a escada rolante do metrô com a mochila abraçada tensamente na barriga, com o corpo disposto lateralmente, com cara de quem “to de olho em você“, a fim de evitar qualquer tentativa de furto. Mas com a rotina, você acabar achando isso tudo uma bobagem, sentir-se relaxado e sortudo por isso nunca ter acontecido com você, e…Ops, cadê o meu celular?;

– é ter a necessidade de sacar 50 reais, devido algum imprevisto, e precisar pagar 15 reais ao estacionamento do lado da agência bancária para uma ação de três minutos;

– é acreditar que, viver no “pólo dos acontecimentos culturais”, significa ter à sua disposição infinitos shows, peças teatrais, palestras, saraus, mas não conseguir acompanhar nem 3%, e sentir-se muito mal com isso;

– é, no fundo, sentir-se envergonhado quando se dá conta de que prioriza conhecer as capitais de outros países, sem sequer conhecer o Museu do Ipiranga ou o Teatro Municipal;

– é querer acompanhar os “top list” da Comer e Beber, mas perceber que, às vezes, os restaurantes menos “premiados” lhe agradam mais ao paladar. Ah, e te recepcionam muito melhor também;

– é ter fome às onze e meia da noite, ter a esperança de encontrar algo bacana pra comer na “cidade que nunca dorme”, mas terminar em qualquer McDonald´s 24 horas, porque a maioria dos restaurantes fecha suas cozinhas à meia noite. E os pouquíssimos que não fecham, invariavelmente, você terá que submeter-se a uma fila de espera de, no mínimo, uma hora;

– é sentir um gelo na barriga toda vez que, infelizmente, algum motoqueiro encosta ao seu lado no semáforo fechado;

– é atravessar a 23 de maio, às sete da manhã, e descobrir que, JAMAIS se deve permanecer na faixa da esquerda se você precisar, em qualquer momento, pegar qualquer saída à direita;

– é pensar, naqueles dias de “recordes de trânsito” semanais, que se você tivesse um bom preparo físico, até poderia realizar boa parte dos seus trajetos a pé, sem custo, sem estresse, e ainda diminuiria sua circunferência abdominal! Mas este pensamento não permanece por muito tempo na consciência;

– é ter uma infinidade tão infinita (pleonasmo proposital) de especialidades médicas à sua disposição, que parece que você vai demorar uns 5 anos para encontrar algum que seja bom! Ou demorar outros cinco pra conseguir pagar quem realmente é bom!;

– morar em São Paulo é adiar, infinitamente, qualquer possibilidade de ampliar a família. Mesmo! E aturar depois a cobrança da sua mãe de que “você vai ficar velha demais”, e ela também.

Enfim, hoje repenso muito. Não pretendo sair tão cedo, mas, como já disse em outro post, talvez eu seja uma neurótica masoquista que acredita que o crescimento só vem acompanhado da dificuldade, do obstáculo, do desafio. E que sente muito prazer com tudo isso!

Apesar dos pesares, tem muita coisa positiva, cabe a cada um descobrir os prazeres da “terra da garoa”. Topas?

Enfim, se aqui é lugar de “gente grande”, isto já sei que era mera ilusão, pois acredito que, cada um que escolhe sobreviver aqui, está disposto a ser “a penas” alguém significativo entre outros vinte milhões.

Posted by Andressa Luz

 

Aqui vai um desabafo…

pipoca

Existem algumas coisas que escutamos na vida e se encaixam bem naquele velho ditado de que “é melhor ouvir do que ser surdo”.

Este texto aí abaixo, do Rubem Alves, chamado “milho de pipoca”, chegou até mim, como sendo uma tentativa de motivar uma equipe em seu contexto de trabalho. E claro, de impulsionar cada um ali presente a se “transformar”, a deixar de ser resistente a mudanças…
Bom, assim que lerem o texto, vocês vão entender o porquê da minha indignação:

“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre”

“Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém”.

Então, né! Agora vocês imaginem a cara de tristeza das pessoas quando terminaram de ler este texto. Se a intenção era motivar as pessoas…BUM! Estratégia errada. Aposto que ninguém saiu dali traçando como meta ser uma pipoca na vida!

Certamente esse texto foi usado de uma forma equivocada. Pois quando pensamos nas pessoas e sua relação com o trabalho, certamente não gostaríamos de ser compreendidos sobre uma simples metáfora com uma pipoca! A relação homem e trabalho é algo extremamente complexo, assim como as coisas que o motivam. É notório que os motivos que levam uma pessoa a se sentir motivado ou não em seu trabalho, são motivos internos e externos ao indivíduo.

Acredito que o olhar dos profissionais que trabalham buscando alternativas que levem as pessoas a se sentirem motivadas, fazendo-as encarar os desafios diários, sem desistir e ainda criando alternativas inovadoras, deveria ser um olhar que respeitasse mais a subjetividade de cada indivíduo e seus limites. Dentro daquilo que lhes cabem como responsáveis por impulsionar a motivação nas pessoas, espera-se que um olhar comprometido e respeitoso seja o mínimo, e não culpabilizar o sujeito e torná-lo o único e maior responsável por seu fracasso ou sucesso, norteado por uma visão descolada do contexto social, econômico e cultural que vivemos, desconsiderando toda a complexidade na sociedade em que estamos inseridos. Como também, sem fazer uma análise das condições de trabalho e perspectiva que muitos de nós trabalhamos e que muitas empresas e organizações oferecem aos seus funcionários.

Ou seja, não me venham falar de milho, de pipoca, de “dureza no meu ser”, não venham pedir para que eu me transforme em uma flor branca, cheia de alegria, tentando me fazer sentir culpado por ser duro, ou tentar me motivar desta forma. Vamos dividir esta responsabilidade, ok?

Outro ponto interessante é o fato desse texto passar a mensagem de que você precisa passar pelo fogo, pelo sofrimento, para nos modificarmos, para sermos pessoas “melhores”. Assim, como na fala do cantor Criolo: “você não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você. Temos infinitas possibilidades de mudança na vida e não me parece ser a mais interessante, nem a mais sábia delas ter que sofrer. Muito menos, que o sofrimento no trabalho faça parte de algo que será muito produtivo e transformador.

Enfim, esse texto utilizado erroneamente, a meu ver, para falar de motivação, poderia ser criticado de muitas formas. Só espero que fique claro, que trabalhar com pessoas e buscar que através da motivação delas, elas dêem o melhor de si, não seja uma busca que as desumanizem.

Aliás, cada um de nós espera ser respeitado e compreendido em nossa subjetividade e complexidade, sem sermos diminuídos. Espera-se que a motivação seja buscada e explorada em cada um, sobretudo no seu ambiente de trabalho, de uma forma saudável, sem metáforas bobas, comprometida com o ser humano.

Posted by Fernanda Martins

 

A SUA MOTIVAÇÃO ESTÁ A SERVIÇO DO QUÊ?

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Acho chique começar a reflexão a partir da etimologia da palavra: motivação é derivada do latim motivus, movere, que significa mover.

Partindo do princípio que todo movimento é gerado por um estímulo ou impulso, motivação seria o motivo ou estímulo que provoca uma ação, um comportamento. E esta ação precisa ter uma direção, um fim, um sentido.

Diante de um século que atesta a “epidemia da depressão”, é evidente a dificuldade em construir sentidos a partir daquilo que se faz. O que se faz (qual o estímulo?) e para quem é feito (qual o sentido?)? Por que tanta dificuldade?

Primeiro, gostaria de deixar claro que estou pensando a motivação a partir de um ponto de vista, do meu ponto de vista, de um contexto específico. Estou longe da pretensão em determinar conceitos ou impor verdades a respeito do que seja motivação. Há infinitas maneiras de se pensar e discorrer sobre este assunto.

Enfim, proponho esta reflexão a partir de uma experiência muito particular: trabalhei na área de recursos humanos, em uma organização do ramo varejista, e a cobrança que eu recebia e reproduzia para as pessoas que eu contratava era simples: seja MOTIVADO! E motivação, neste contexto organizacional, era intrínseco à produtividade. Para mim, motivação estava muito mais associado à alegria e prazer no fazer do que ao fato de se construir um sentido. E no fim das contas, eu não conseguia nenhum dos dois. Não conseguia nem fingir prazer com o que eu fazia e muito menos apropriar-me de um sentido do resultado que eu obtinha. Frustração? Imagina! A crise de domingo à noite e o alívio da sexta-feira, regadas à cerveja, já faziam parte de mim.

Na época, apesar de eu não ter aquele trabalho como um objetivo profissional efetivo e determinante para a minha vida, durante muito tempo, consegui me manter motivada, ou melhor, focada (justamente por me assegurar na idéia de que era temporário). Mas, chegou um momento em que toda aquela cobrança de produtividade foi me enchendo a paciência, chegou ao limite, ao ponto de que tudo o que eu fazia era, por mim mesma, merecedor de um baita descrédito.

Hoje, comemoro o fato de eu não ter permitido que isso se “naturalizasse” em mim, pois me ajudou a sair daquele lugar de sofrimento e possibilitou o exercício da minha verdadeira profissão.

Sentia um enorme incômodo quando ouvia: “Trabalho é isso mesmo, ninguém gosta, é chato” ou “Se trabalho fosse bom, seria lazer, e não trabalho”. Mas o caminho não é o de naturalizar as coisas, achar que tudo é “normal”. Este é o caminho mais “fácil”, ou mais masoquista talvez…rsrsrs. não sei.

Claro que, depois de muita reflexão e sessões de análise, percebi que a problemática da desmotivação estava na ausência do reconhecimento dos meus motivos. Eles existiam, mas estavam bem quietinhos, como que aprisionados em discursos tiranos, internalizados em mim. Enfim, simplificando, era mais cômodo me esconder em atividades as quais eu não me identificava, esconder-me na satisfação dos motivos de outras pessoas ou de outro lugar, do que correr atrás dos meus. E olha como o ser humano é contraditório: eu havia trocado um sofrimento, ou a possibilidade dele, por outro muito pior!

Só sei que, apesar dos novos rumos da minha vida ainda não serem inteiramente autênticos, acredito que estou retomando minha direção e encontrando novos sentidos, em prol de mim mesma, dispondo-me do sofrimento (e do ganho) em pagar o preço por, genuinamente, ser e realizar o que eu quiser.

E agora, te pergunto: As coisas que mais te motivam no dia-a-dia derivam do subjetivo, do particular, em prol de uma satisfação interna, ou derivam de uma submissão diante de uma necessidade em satisfazer um Outro, mergulhado em uma ilusão de que a satisfação deste Outro é equivalente à sua?

Ou seja, em outras palavras: a sua motivação está a serviço de você ou do seu refúgio?

Posted by Andressa Luz

O sujeito do inconsciente.

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Quando escrevo,

Penso.

Penso

E duvido.

Duvido e questiono.

Questiono o que penso saber

E busco o que não sei.

O que não sei pode estar fora de mim, mas também pode estar oculto em mim mesmo.

Busco repertório, novos olhares, possibilidades que desconheço ou que recusei.

Quanto ao oculto, é ainda mais laborioso.

Se ignoro partes de mim mesmo, significa que são questões inconciliáveis com aquilo que penso conhecer, ou seja, com o que idealizo.

Pode ser mais suportável que permaneçam ocultas mesmo.

O que idealizo é o que suporto saber, um suposto saber.

E se vier à luz?

Sinto um incômodo.

Nomeio o incômodo.

O incômodo já não parece tão avassalador.

E sobre o que comecei a escrever?

Já nem sei…

O pensamento deu lugar ao sentir e, por um instante, tantos caminhos pareciam estar esclarecidos…

E me ocupei com os pensamentos novamente.

Já disse Lacan: “Penso onde não sou, logo, sou onde não penso”.

Mas pra fechar, fico com Clarice Lispector:

“O que eu sinto, eu não ajo. O que ajo, não penso. O que penso, não sinto. Do que sei, sou ignorante. Do que sinto, não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse”.

Posted by Andressa Luz

A Origem!

Consideramos válido retomar este blog a partir da nossa apresentação, ou melhor, apresentando o motivo que nos levou a escrever.

Vamos lá…tudo começou com um grande desabafo, e troca de fofocas, de duas amigas a respeito da vida (secreta) das mulheres. Em meio a tantas coisas que nós, mulheres, discutimos em um mesmo diálogo, aonde os assuntos se misturam e se ligam de uma forma mágica e lógica (que nem sempre acontecem da mesma forma para os homens), discorríamos sobre a nossa vida sexual. E eis que surge, então, o grande clímax da conversa, que nos levaria a uma profunda (RS) reflexão e questionamento: Alguém aqui já ouviu falar sobre passar uma tal de pomada na vagina para deixá-la mais “clarinha” ?? Ou melhor dizendo, para deixá-la com uma “carinha” mais nova? Tipo quando tínhamos 15 anos de idade? Oi?Pois é!!!

Após o espanto, principalmente porque esta informação foi repassada como sendo o assunto em uma roda de homens, começamos a pensar o quanto este assunto podia ser complexo. Por um pequeno minuto nos pegamos olhando com uma cara de dúvida, do tipo: “Será que a minha vagina precisa de um creme desses?”, “Será que ela mudou tanto assim com o tempo?”, “ Será que esse creme funciona?” ou ainda “Como será a “cara” dela quando eu ficar velha?“. No entanto, ninguém aqui precisa conferir o próprio corpo para saber que o corpo de hoje, não é mais como aquele corpo da juventude. E muito menos precisa ser mulher pra sentir isso.

Obviamente que, com a nossa imaginação fértil, logo começamos as comparações do tipo: “Realmente antigamente ela tinha uma cor rosadinha (RS) e hoje ela está mais para cinquenta tons de cinza (nossa que drama)” e aí as associações fluíram livremente, até onde você não possa imaginar! (Santo WhatsApp!).

Bom, na verdade, não queremos aqui discutir a cor da sua vagina, ou em qual tom ela se encaixa melhor (até porque nós, mulheres, somos de várias cores). Como dissemos acima, na cabeça de uma mulher as coisas se encaixam de uma forma mágica e o “Não É Mais Cor-de-Rosa” surge daí!

Quando crianças (pelo menos no que diz respeito às meninas), somos levadas a fantasiar (em alguns momentos) que a vida é cor-de-rosa. São Barbies perfeitas, bem-sucedidas, em suas Ferraris e mansões, além dos famosos contos de fadas da Disney e das brincadeiras nas quais somos eficientes mamães ou donas de casa. Enfim, estamos falando aqui dos padrões pré-estabelecidos de um mundo ideal que têm tudo a ver com as representações que construímos internamente e que permeiam nossas relações no dia-a-dia (principalmente no que diz respeito à lógica do consumo, mas isso é papo pra outro post). Ou seja, crescemos com uma “promessa” de um mundo cor-de-rosa (ou pelo menos interpretamos assim), mas, que no decorrer das primaveras, vão mostrando suas outras nuances.

Ainda bem que a maturidade chega e os constantes questionamentos permitem a desconstrução de conceitos, pré-conceitos, valores, moral…para que, finalmente, nos tornemos Mulheres! E olha, haja frustração, análise pessoal, repetição e elaboração (RSRS)!

Por fim, propomos este espaço para colocarmos em xeque aquilo que diariamente nos é determinado, subvertendo o que está posto, pois acreditamos que a existência, o vir-a-ser, é este movimento constante de colocar-se em dúvida, o que nos torna genuinamente capazes de colorir com as nossas próprias cores.
Acomodar-se? JAMAIS!

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Um grande Beijo!

Fernanda Martins e Andressa Luz.